A economia espanhola cresce, o PIB avança e o emprego mantém-se estável, mas as cadeias de restauração e os fabricantes do setor de foodservice têm uma sensação diferente, mais associada à ideia de que a recuperação económica ainda não chega ao bolso das pessoas. A explicação está nos dados e na forma como estes são interpretados.
Entre 2019 e 2025, o PIB real de Espanha cresceu cerca de 10 %, mas, nesse mesmo período, a população residente aumentou em quase dois milhões de pessoas, o que reduz o crescimento do PIB per capita para aproximadamente 5 %. Grande parte do crescimento deveu-se ao aumento da população e não a uma maior produtividade e rendimento individual.
Se aprofundarmos ainda mais, o crescimento do PIB per capita explica-se sobretudo por uma melhoria da taxa de emprego. Há mais pessoas a trabalhar, mas a produtividade por hora mal avançou. E sem produtividade, não há crescimento sustentado dos salários reais. A esta equação junta-se um fator que condiciona o consumo fora do lar, como é a habitação, que já ultrapassa os 30% do orçamento familiar médio e atinge máximos históricos
O resultado é um consumidor mais moderado, mas não ausente. Mais racional e exigente, e com um critério muito mais rigoroso para avaliar se algo vale o que custa. O consumo funcional durante a semana é afetado, o serviço de entregas deixa de ser sinónimo de crescimento automático e a comparação com alternativas como o retalho alimentar é constante.
De qualquer forma, o consumo não desaparece, mas sim redistribui-se e fragmenta-se. Coexistem famílias sob grande pressão com outras que continuam à procura de experiências diferenciadas e estão dispostas a pagar quando percebem um valor real. O crescimento já não virá da abertura de novos estabelecimentos nem do aumento dos preços, mas sim da conquista de uma penetração significativa, da identificação do público-alvo e de nichos de procura específicos, e da adaptação da proposta a cada momento de consumo.
A mensagem é clara. Num mercado com menos rendimento disponível, o risco não reside na contenção do consumidor, mas sim em tomar decisões com base em dados que não refletem esta nova realidade. A compreensão profunda do consumidor torna-se a principal vantagem competitiva. A penetração, os momentos de consumo, a adequação da oferta e o valor percebido serão mais decisivos do que nunca.
Cristina García
Diretora de OOH, Restauração e Foodservice da Worldpanel by Numerator

