O consumo de panetones está a mudar no Brasil e desafia as marcas tradicionais, aponta o ranking Brand Footprint 2026

O novo ranking Brand Footprint Panetones 2026, da Worldpanel by Numerator, revela uma categoria que continua forte nos lares brasileiros, mas marcada por uma menor intensidade de compra, fragmentação entre marcas e mudanças significativas nas ocasiões de consumo.

Os panetones mantêm a tradição no Brasil, mas o consumo varia de geração para geração e desafia as marcas líderes Subtítulo

O panetone continua a ocupar um lugar simbólico e emocional no Natal brasileiro. Presente em 62,4% dos lares, esta categoria continua a ser uma das mais relevantes da época festiva de fim de ano, mantendo uma forte associação com a celebração, a partilha e a oferta de presentes.

Mas, por trás dessa presença consolidada, os hábitos de compra estão a mudar.

O novo ranking Brand Footprint Panetones 2026, da Worldpanel by Numerator, revela uma categoria em transformação: o consumidor brasileiro continua a comprar panetone, mas com menor frequência, maior seletividade e muito mais abertura à experimentação.

Cargo Marca PCR Var.
1 Bauducco 25,9 -3,9%
2 Tommy 7,5 -1,4%
3 Visconti 4,4 -2,2%
4 Festtone 4,2 19,5%
5 Sete Rapazes 2,8 -7,6%
6 Panco 2,7 22,2%
7 Romanato 2,5 9,6%
8 Feira do Cacau 2,1 1,6%
9 Santa Edwiges 2,0 15,4%
10 Casa Suica 1,7 4,5%

O resultado reflete-se na queda de 3,8% nos Consumer Reach Points (CRP), um indicador que combina penetração e frequência de compra e mede a força real das marcas nos lares.

Mais do que uma retração do setor, o estudo aponta para uma reestruturação do consumo, caracterizada por:

  • Ajustes ao orçamento
  • Mudanças geracionais
  • Premiumização
  • Fragmentação entre marcas e segmentos
  • Novos papéis para o produto ao longo do percurso de compra

Uma elevada penetração já não garante o crescimento

A principal conclusão do estudo é clara:

O consumidor não deixou de comprar o panetone — passou apenas a consumi-lo de forma diferente.

Apesar da elevada penetração, a categoria perdeu intensidade.

Isso acontece porque:

  • O consumidor faz compras com menos frequência ao longo da temporada
  • Planeia melhor as ocasiões
  • Adapte o tamanho, o segmento e a quantidade ao orçamento disponível
  • Alterna entre diferentes marcas, dependendo do objetivo da compra

Na prática, o desafio do setor deixou de ser apenas o alcance e passou a ser a relevância contínua ao longo de toda a sazonalidade.

O consumidor está mais racional e mais estratégico

A pressão inflacionária desempenhou um papel importante nessa transformação.

Com um aumento médio de +8,7% nos preços desta categoria, o consumidor reajustou o carrinho:

  • Reduziu o volume por viagem
  • Diminuiu a frequência de compra
  • Procurou um melhor equilíbrio entre preço e valor percebido

Este movimento teve um impacto especial em:

  • Panetones tradicionais
  • Pedaços de chocolate
  • Embalagens de 400 g

O consumidor passou a avaliar com mais cuidado:

  • Que produto levar
  • Para que ocasião
  • E com que finalidade

Cada geração consome o panetone de forma diferente

O estudo mostra que o comportamento varia significativamente entre as faixas etárias, o que ajuda a explicar a fragmentação da categoria.

A Geração do Baby-boom: tradição e presente

Os consumidores mais maduros mantêm uma relação mais tradicional com a categoria:

  • Maior preferência por panetones de frutas
  • Forte associação com o ato de oferecer um presente
  • Consumo ligado à tradição familiar e à celebração

Nesse grupo, o panetone continua a ter um forte valor simbólico.

Geração Y: o eixo económico da geração

Os consumidores com idades compreendidas entre os 30 e os 49 anos são os que representam maior valor:

  • Representam cerca de 50 % do volume de negócios do setor

Ao mesmo tempo:

  • Diversificam menos entre segmentos
  • Apresentam um desempenho 15% abaixo da média nos testes

Isso indica que o consumidor é mais pragmático e prático na hora de comprar.

As gerações mais jovens impulsionam o consumo de doces

Entre os consumidores mais jovens, cresce a preferência por:

  • Chocolate
  • Produtos de luxo
  • Recheados
  • Itens relacionados com a experiência e a novidade

Este grupo apresenta:

  • Maior abertura à experimentação
  • Menor lealdade
  • Maior disposição para alternar entre marcas e segmentos

As marcas líderes continuam fortes — mas já não dominam o mercado da mesma forma

A Bauducco continua a ser líder absoluta a nível nacional:

  • 25,9 milhões de CRP
  • Primeiro lugar em todas as regiões e faixas etárias analisadas

Mas até a própria líder sente os efeitos da nova dinâmica:

  • Queda de 3,9% no CRP

Tommy e Visconti também se recusam a ceder, salientando que:

A liderança continua a ser relevante, mas já não garante uma repetição automática.

A fragmentação abre espaço para marcas regionais e de nicho

Enquanto as grandes marcas perdem força, as marcas mais pequenas avançam de forma consistente.

Entre os destaques do ranking:

  • Festtone
  • Panco
  • Romanato
  • Santa Edwiges
  • Casa Suíça

Esta tendência revela um mercado mais fragmentado, no qual:

  • O consumidor diversifica cada vez mais
  • Experimente produtos específicos para diferentes ocasiões
  • Combina marcas ao longo da temporada

Hoje, o mesmo consumidor pode:

  • Comprar uma marca tradicional para a ceia
  • Outra para oferecer
  • E uma terceira para experimentar um produto premium ou de luxo

Os panetones recheados estão a crescer — mas por substituição

Os produtos recheados continuam a impulsionar o crescimento da categoria e a ganhar espaço no carrinho de compras.

No entanto, o crescimento deve-se principalmente à substituição:

  • O consumidor troca os produtos tradicionais por versões mais sofisticadas
  • Sem necessariamente aumentar o consumo total da categoria, isto exige a atenção das marcas.

Crescer em valor sem prejudicar a base tradicional tornou-se um dos principais desafios estratégicos do setor.

A lealdade diminui e a experimentação aumenta

Outro sinal importante desta transformação é a diminuição da fidelidade.

O brasileiro comprou, em média:

  • Três unidades de panetone
  • De duas marcas diferentes

Além disso:

  • Mais de 40% transitam entre segmentos
  • Variando entre frutas, chocolate e recheios, consoante a ocasião

Esse comportamento diminui a previsibilidade e torna o percurso de compra mais fragmentado.

O setor passa a depender menos de novos compradores

Com uma penetração já elevada, o crescimento deixa de depender principalmente da conquista de novos lares.

O avanço passa a ter origem em:

  • Mais oportunidades de consumo
  • Maior relevância no âmbito da base atual
  • Capacidade de capturar diferentes momentos da jornada

Isso requer:

  • Portfólios mais estratégicos
  • Clareza quanto ao papel de cada SKU
  • Diferenciação entre ocasiões de consumo
  • Maior precisão na execução no ponto de venda

O que muda para as marcas e o retalho?

O cenário exige uma abordagem mais sofisticada da categoria. As marcas terão de encontrar um equilíbrio entre:

  • Criação de valor
  • Gestão de preços
  • Diferenciação entre segmentos
  • Relevância emocional
  • Capacidade de gerar receitas recorrentes

Num contexto em que as compras são menos frequentes, cada ocasião passa a ter mais valor.

Insight-chave

O panetone continua a fazer parte do Natal brasileiro, mas o seu consumo tornou-se mais seletivo, fragmentado e orientado por ocasiões específicas.

Perguntas frequentes

O consumo de panetone está a diminuir no Brasil?
A categoria continua a ter uma forte presença nos lares, mas registou uma diminuição na intensidade de compra, refletida numa queda de -3,8% no CRP.

O que mudou no comportamento do consumidor?
O consumidor está mais racional, compra com menos frequência, alterna entre marcas e adapta o carrinho ao orçamento disponível.

Quais são os segmentos que mais crescem?
Os panetones recheados e os produtos mais apetitosos continuam a ganhar importância e a impulsionar o valor da categoria.

As marcas líderes continuam fortes?
Sim, mas enfrentam uma menor fidelidade e uma maior fragmentação nas escolhas dos consumidores.

O preço teve impacto na categoria?
Sim. O aumento médio de +8,7% levou os consumidores a reajustarem a frequência, o volume e o mix de produtos.

O que está a impulsionar o crescimento neste momento?
Mais do que conquistar novos clientes, o crescimento depende da capacidade de gerar mais oportunidades de consumo junto da base atual.

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