Os eletrodomésticos que hoje conquistam os lares brasileiros são diferentes daqueles que lideravam a preferência dos consumidores há alguns anos.
Num contexto marcado por famílias mais pequenas, envelhecimento da população e maior valorização do tempo, cresce a procura por produtos que simplificam as tarefas, poupam espaço e ajudam a tornar a rotina mais eficiente.
Os dados da Worldpanel by Numerator mostram que essa transformação já é visível nos lares brasileiros. O principal símbolo dessa mudança é a fritadeira sem óleo, que deixou de ser um produto de desejo para se tornar um dos eletrodomésticos mais comuns nos lares do país.
Entre 2022 e 2025:
- A penetração da fritadeira sem óleo subiu de 36,2% para 64% dos lares
- Um crescimento de 27,8 pontos percentuais
- O maior avanço entre as principais categorias monitorizadas
Mas o fenómeno vai muito além de um único produto. Reflete mudanças estruturais na forma como os brasileiros vivem, cozinham e organizam as suas casas.
Os lares brasileiros estão a mudar — e os eletrodomésticos também
O avanço dos equipamentos destinados a facilitar a vida acompanha mudanças importantes na composição das famílias.
Nos últimos anos:
- O tamanho médio dos agregados familiares diminuiu de 3,3 para 2,8 pessoas
- As pessoas com mais de 50 anos já representam cerca de 26% da população brasileira
Essas mudanças afetam diretamente as necessidades dentro de casa.
As famílias mais pequenas tendem a:
- Promover uma melhor utilização do espaço
- Procurar soluções multifuncionais
- Dar prioridade à praticidade
Ao mesmo tempo, os consumidores mais maduros demonstram maior interesse por produtos que reduzam o esforço físico e simplifiquem as atividades do dia a dia.
O crescimento do mercado dos eletrodomésticos de conveniência reflete menos uma tendência de consumo e mais uma adaptação às novas realidades dos lares brasileiros.
A fritadeira sem óleo deixou de ser uma tendência para se tornar rotina
Poucas categorias representam tão bem essa transformação como a das fritadeiras sem óleo.
O crescimento de quase 28 pontos percentuais em apenas três anos demonstra que o produto atingiu um novo nível de relevância.
Hoje:
- Está presente em 64% dos lares brasileiros
- Alcança 62% dos agregados familiares da classe C
- Atinge 82% dos lares das classes AB
Este dado é importante porque mostra que a categoria ultrapassou as barreiras de rendimento e ampliou a sua presença junto de diferentes perfis de consumidores.
A fritadeira sem óleo já não é vista como um produto inovador. Passou a fazer parte da rotina doméstica.
Por que é que a popularidade da fritadeira sem óleo está a crescer tanto?
O sucesso desta categoria está diretamente relacionado com as mudanças nos hábitos alimentares e na gestão do tempo.
Entre os principais fatores contam-se:
- Rapidez na preparação
- Facilidade de utilização
- Menor necessidade de limpeza
- Menor consumo de óleo
- Versatilidade para diferentes tipos de refeições
A combinação entre praticidade e saúde tornou o produto especialmente relevante para os consumidores que precisam de equilibrar a rotina, a alimentação e o orçamento.
A procura por comodidade vai além da cozinha
A transformação observada na fritadeira sem óleo também se verifica noutras categorias.
Entre os equipamentos que continuam a ganhar importância encontram-se:
- Placas de fogão
- Máquina de lavar louça
- Aspiradores
Todos têm uma característica em comum:
São produtos que ajudam a poupar tempo e a reduzir o esforço necessário para as tarefas domésticas.
Em contrapartida, algumas categorias mais tradicionais mostram sinais de estabilidade ou retração.
Entre 2022 e 2025:
- Enquanto as geladeiras se mantiveram praticamente estáveis, com uma penetração de 98,6%
- Os tanquinhos perderam 1,9 pontos percentuais
Isto sugere que o crescimento do mercado já não depende da expansão das categorias consolidadas, mas da capacidade de responder a novas necessidades.
A casa continua a ser uma prioridade para os brasileiros
Mesmo num contexto de pressão sobre o orçamento familiar, os investimentos relacionados com a casa continuam a ser importantes.
Segundo a Worldpanel da Numerator:
- 7,8 milhões de famílias brasileiras compraram eletrodomésticos em 2025
- A despesa média foi de 2 051 R$ por agregado familiar
Além disso:
- A habitação já representa 26% do orçamento familiar
- É a maior categoria de despesas dos consumidores brasileiros
Este percentual inclui:
- Aluguer
- Entrega do imóvel
- Reformas
- Manutenção
- Compra de eletrodomésticos
Este comportamento indica que os consumidores continuam a investir em melhorias para a casa, mas estão a ser mais criteriosos na escolha dos produtos.
A saudabilidade está a mudar a forma de cozinhar
O crescimento da popularidade da fritadeira sem óleo acompanha também mudanças importantes na cozinha.
Os dados mostram que:
- As refeições de preparação rápida representam mais de 30% das refeições preparadas em casa
- Uma vez que as frituras tradicionais passaram a representar 17% das ocasiões
- Uma redução de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior
Ao mesmo tempo:
- As ocasiões relacionadas com a saúde aumentaram 2 pontos percentuais
- Já representam 19% do total
O movimento é especialmente forte entre:
- Consumidores mais idosos
- Membros da Geração X
O que é que isto revela sobre o consumidor brasileiro?
O avanço dos eletrodomésticos de conveniência revela uma mudança mais ampla de comportamento.
Hoje, os consumidores procuram soluções que os ajudem a:
- Ganhar tempo
- Simplificar tarefas
- Otimizar os espaços
- Melhorar os hábitos alimentares
- Aumentar o conforto dentro de casa
Mais do que adquirir produtos, os brasileiros estão a comprar praticidade.
O que é que isto significa para as marcas e para o retalho?
O crescimento do mercado depende cada vez menos da tecnologia por si só e cada vez mais da capacidade de resolver problemas reais do dia-a-dia.
As oportunidades estão concentradas em categorias que proporcionam:
- Conveniência
- Poupança de tempo
- Multifuncionalidade
- Saudabilidade
- Facilidade de utilização
As marcas que conseguirem transmitir esses benefícios de forma clara estarão em melhor posição para aproveitar o próximo ciclo de crescimento do setor.
O sucesso da fritadeira sem óleo não é apenas uma história sobre eletrodomésticos. É uma prova de que os consumidores estão a reorganizar a vida doméstica em torno da praticidade, da eficiência e do bem-estar.

