O marketing de influência não é tão determinante como se costuma pensar. No Chile, a decisão de compra continua a ser dominada por fatores tradicionais, como o preço, a qualidade e as características do produto.
Uma análise da Worldpanel realizada pela Numerator revela que, embora os influenciadores estejam presentes no percurso do consumidor, o seu impacto direto na conversão é limitado. O seu papel está mais ligado à divulgação do produto do que à compra em si.
Que fatores influenciam realmente a decisão de compra?
Para o consumidor chileno, a lógica é clara:
- 76,4%: preço, qualidade e características do produto
- 18,1%: recomendação boca a boca
- 12,7%: redes sociais e opiniões online
- 3,3%: influenciadores
A decisão de compra é determinada principalmente pelo valor percebido do produto, e não por quem o promove.
Em que categorias se concentra o consumo?
As compras no lar são lideradas por:
- Vestuário
- Cuidados com a pele e cuidados faciais
- Calçado desportivo
- Maquilhagem
Estas categorias combinam uma forte componente funcional com um valor aspiracional, o que reforça a importância de atributos concretos em detrimento da influência externa.
Os consumidores confiam nos influenciadores?
A confiança é um dos principais obstáculos do marketing de influência no Chile.
- 63,4% demonstra alguma desconfiança
- 42,5% de desconfiança geral
- 11,7% consideram que exageram nos lucros
- 9,2% desconfiam do conteúdo pago
Solo:
- 20,1% confiam quando o influenciador usa realmente o produto
Isto revela um ponto crucial: a autenticidade não é opcional, é uma condição mínima.
Quem é que desconfia mais?
O segmento ABC1a apresenta o maior nível de desconfiança, apesar de ser o mais exposto às redes sociais e às tendências.
Este comportamento revela um consumidor mais informado e exigente, que questiona ativamente o conteúdo promocional.
Neste contexto, dar prioridade a conteúdos orgânicos, críticas genuínas e demonstrações reais de utilização torna-se uma oportunidade estratégica para estabelecer uma ligação com este segmento.
Diferenças por faixa etária: quem confia mais?
O comportamento varia consoante a idade:
- Menores de 35 anos: maior nível de confiança
- 60 a 69 anos: o grupo mais cético
- Pessoas com mais de 70 anos: mostram-se desconfiadas, mas valorizam a utilidade real do produto
Isto sugere que a credibilidade não depende apenas do canal, mas também da perceção de autenticidade.
Então, qual é o papel dos influenciadores?
O influenciador não incentiva diretamente a compra.
A sua função principal é:
- Promover o conhecimento do produto
- Explicar as vantagens
- Adicionar novas categorias
O influenciador informa, mas não fecha a venda.
Onde é que a compra se concretiza realmente?
O ponto de venda continua a ser decisivo.
Fatores-chave:
- Góndola arrumada
- Comunicação clara dos benefícios
- Disponibilidade do produto
Estes elementos têm um impacto maior do que qualquer campanha com influenciadores.
Perspetiva fundamental
No Chile, a conversão não depende da visibilidade, mas sim da credibilidade e do valor real do produto.
O que é que isto significa para as marcas?
As marcas devem repensar a sua estratégia:
- Priorizar atributos claros do produto
- Investir na experiência no ponto de venda
- Utilizar influenciadores como canal de educação, e não de conversão
- Apostar em conteúdo autêntico e comprovável
Perguntas frequentes
Os influenciadores influenciam as compras no Chile?
Sim, mas de forma limitada. Apenas 3,3% os considera um fator direto na decisão de compra.
O que é mais importante para o consumidor chileno?
O preço, a qualidade e as características do produto.
Os consumidores confiam nos influenciadores?
A maioria não. 63,4% afirmam sentir alguma desconfiança.
Qual é o verdadeiro papel do influenciador?
Informar sobre o produto, não gerar a compra direta.

