Este é o primeiro artigo de uma série de três partes que explora a ascensão e o impacto das lojas de descontos no Médio Oriente.
Embora as lojas de descontos na Europa já detenham uma quota de valor significativa (França 10,9%, Espanha 12,8%, Grã-Bretanha 20,9%), o Médio Oriente está a recuperar terreno rapidamente. Nos Emirados Árabes Unidos, as lojas de descontos atingiram uma quota de valor de 7,9% em 2025, registando um crescimento de +17,9% em relação a 2024. Na Arábia Saudita, a sua quota situa-se agora nos 11,2%, com um crescimento impressionante de +31,8% – o mais rápido entre todos os mercados analisados.
A penetração já é comparável à da Europa, com os Emirados Árabes Unidos a registarem 70,7% e a Arábia Saudita 82,5%.
Divesh Israni, diretor de retalho e comportamentos de consumo para África e Médio Oriente da Worldpanel by Numerator, explica: «As lojas de descontos estão a ter sucesso ao oferecerem valor tanto em termos de qualidade como de preço, através da expansão contínua da rede de lojas e de uma experiência de compras que se identifica com o consumidor atual.»
Embora a trajetória de crescimento seja semelhante, a forma como as lojas de descontos se impõem varia consoante o mercado:
- Emirados Árabes Unidos: formatos orientados para a proximidade, com forte dependência de marcas próprias de origem europeia
- Arábia Saudita: missões com um leque de serviços mais alargado e rápida expansão para além das principais cidades
Para além do crescimento, os modelos subjacentes a estas empresas também diferem significativamente. Nos Emirados Árabes Unidos, operadores como a Viva seguem de perto o modelo europeu (Aldi, Lidl), com um forte enfoque nas marcas próprias e em propostas centradas no preço. Na Arábia Saudita, o formato assemelha-se mais ao retalho de estilo grossista dirigido aos consumidores finais, com uma presença mais forte de marcas tradicionais.
A estrutura do mercado também difere significativamente: os Emirados Árabes Unidos têm apenas um punhado de lojas de descontos, enquanto a Arábia Saudita tem mais de 50. Isto torna a Arábia Saudita muito mais fragmentada — e um desafio maior para fabricantes e retalhistas —, enquanto os Emirados Árabes Unidos continuam a apresentar um mercado mais concentrado, mas ainda assim disruptivo.
A lição a retirar dos mercados de lojas de descontos mais desenvolvidos é clara: assim que as lojas de descontos passam a fazer parte do repertório habitual de compras, o crescimento já não se resume apenas à expansão das lojas, mas passa a depender da melhoria da conversão por categoria, da colmatação de lacunas no sortido e do aumento da fidelização dos clientes.
O que se mantém constante é o impacto: uma concorrência de preços cada vez mais acirrada e uma erosão do valor cada vez mais acelerada. Os retalhistas já estão a reagir, intensificando as promoções para defender a sua quota de mercado — o que aumenta ainda mais a pressão sobre o valor global do mercado.
As lojas de descontos já não são um canal de nicho. Estão a redefinir as fontes de crescimento – e a forma como o valor é definido. Compreender o comportamento dos consumidores nestes formatos é agora fundamental, tanto para os retalhistas como para os fabricantes.
Fique atento ao próximo artigo desta série de três partes, ou fale com os nossos especialistas para compreender como as lojas de descontos estão a afetar o desempenho da sua categoria atualmente.
Divesh Israni
Diretor de Retalho e Consumidores, África e Médio Oriente
Worldpanel by Numerator

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