É possível crescer quando se verifica um crescimento nulo nas oportunidades de consumo dentro e fora de casa? Sim, é possível. Para tal, é fundamental analisar o consumo de forma fragmentada e identificar momentos do dia, locais, motivações e utilizações que constituam oportunidades reais.
Idosos: quando cuidar de si é uma prioridade
Uma primeira fragmentação é a dos agregados familiares, com especial destaque para o envelhecimento progressivo da população espanhola, uma vez que um terço dos habitantes do país se reformará nos próximos 15 anos.
A verdade é que a esperança de vida aumenta, em média, um ano a cada década no nosso país, embora a esperança de vida saudável se mantenha estável e não cresça ao mesmo ritmo. Por isso, a saúde está a passar de uma escolha para uma prioridade, e a indústria tem a oportunidade de ajudar os consumidores a gerir a sua saúde no dia a dia.
No entanto, a saúde por si só não é suficiente. Mais de metade das ocasiões de consumo relacionadas com a preocupação com a saúde entre as pessoas com mais de 65 anos têm, no mínimo, outras duas motivações, como o sabor e a conveniência. Por outro lado, as ocasiões exclusivamente relacionadas com a saúde representam apenas 20%.

Mais pratos únicos
As famílias dedicam cada vez menos tempo a cozinhar, simplificando os processos e reduzindo a complexidade para otimizar o tempo dedicado à cozinha. Isto significa que as pessoas optam cada vez mais por refeições com um único prato, o que representa 71,3% das vezes ao jantar e 55,7% ao almoço.
A oportunidade aqui reside no facto de a indústria poder definir e complementar nutricionalmente estes pratos únicos com soluções adaptadas a esta tendência. Por exemplo, as saladas, embora sejam as que menos funcionam como prato único, costumam ser enriquecidas com a adição de proteínas, gorduras e outros nutrientes.

Momentos específicos
Ao aprofundarmos esta fragmentação do consumo, podemos encontrar um bom exemplo no consumo fora de casa para analisar a ideia de que o crescimento não resultará da dinâmica geral do mercado e das tendências gerais, mas sim da identificação de espaços concretos.
Mais concretamente, nenhum dos momentos clássicos de consumo (pequeno-almoço, almoço, etc.) está a crescer, mas se o setor for capaz de transformar esses momentos em «momentos de procura» baseados em hábitos reais de consumo, aproximadamente um em cada quatro regista, de facto, um crescimento.
Em resumo, o futuro do crescimento passa por compreender o consumo em profundidade, abandonar as abordagens generalistas e apostar em propostas que se adaptem aos novos usos, hábitos e necessidades reais dos consumidores.
Eduardo Viera
Worldpanel da Numerator

