Há um ditado popular que diz: «mais vale prevenir do que remediar». Para além da questão dos medicamentos, a verdade é que, cada vez mais, os consumidores se preocupam com a saúde em geral.
Os portugueses adotam várias medidas no seu dia-a-dia para se manterem saudáveis. Procuram monitorizar a sua saúde mais do que a média europeia, seja através de exames, consultas ou até de aplicações que permitem esse acompanhamento. Afirmam também seguir mais dietas, consumir mais produtos frescos e evitar «maus hábitos», como o consumo de álcool e o tabaco. Para além destas práticas, verifica-se ainda uma preocupação significativa com a saúde mental, a gestão do stress e a prevenção de doenças hereditárias.
Para além de evitarem o consumo de álcool, verifica-se uma tendência crescente para reduzir a ingestão de cafeína: 25% dos portugueses afirmam tentar evitá-la, um valor que tem vindo a aumentar em relação ao ano passado. Reduzir o consumo de gorduras é também uma preocupação crescente entre os consumidores — mais de 72% dos agregados familiares afirmam que, atualmente, consomem menos gorduras em geral.
Observa-se ainda um maior esforço por parte dos consumidores na escolha de produtos mais saudáveis. Mais de metade dos agregados familiares afirma estar disposta a pagar mais por um produto alimentar que contribua para a prevenção ou o tratamento de doenças. Além disso, 31% (+2,7 p.p. em relação a 2024) declara comprar apenas produtos que permitam uma alimentação saudável.
Assim, ao analisarmos os produtos de grande consumo (FMCG), identificamos um aumento na procura por produtos que ofereçam algum benefício para a saúde ou que sejam isentos de determinados ingredientes considerados menos saudáveis. Destacam-se, por exemplo, os produtos sem glúten, com baixo teor ou isentos de açúcar e sem lactose, que respondem tanto às preferências dos consumidores mais atentos à saúde como às necessidades dos consumidores com intolerâncias alimentares.
Ao analisarmos os ingredientes, constatamos uma maior presença de produtos à base de aveia, sementes, bagas e fibra — esta última continua a ser particularmente importante para os consumidores: cerca de 60% dos agregados familiares afirmam tentar incluir uma quantidade elevada de fibra na sua alimentação. Em consequência, observa-se um crescimento considerável dos cereais que contêm este ingrediente, tanto nos agregados familiares mais jovens como nos mais idosos.
Surgem cada vez mais produtos que oferecem o benefício de um elevado teor de proteína, frequentemente associado à prática desportiva. De facto, metade dos consumidores portugueses afirma praticar exercício físico regularmente. Temos tendência a associar esta tendência aos consumidores mais jovens, mas a verdade é que os produtos com elevado teor de proteína estão também a ganhar popularidade entre os reformados — provavelmente devido à preocupação deste grupo com a saúde.
Por outro lado, outros tipos de produtos frequentemente associados a uma alimentação saudável, como os produtos biológicos (BIO), não apresentam uma tendência significativa de crescimento. Já a comida vegetariana, que registava uma evolução positiva até ao início de 2023, perdeu espaço nos lares no ano passado. No entanto, em 2025, voltou a atrair consumidores, conseguindo também um comprador mais intensivo (+6% de volume por ato | MAT P5 2025 vs. período homólogo). Resta saber se esta recuperação se manterá e se a categoria regressará para ficar.
Concluímos, assim, que a alimentação saudável é uma prioridade para os portugueses — 70% dos consumidores afirmam que deveriam cuidar mais da sua saúde. Nesse sentido, os produtos que oferecem benefícios adicionais e que apoiam os consumidores nesta jornada tendem a ser relevantes e a marcar presença nos lares portugueses.

