A análise da Kantar Worldpanel destacou os aspetos mais significativos da vida dos agregados familiares e dos consumidores panamenhos.
No Panamá, três em cada dez famílias enfrentam dificuldades para cobrir as suas despesas mensais, de acordo com a mais recente edição do Kantar Talks: Como crescer num mercado volátil, apresentada na Cidade do Panamá. Num esforço para explorar a evolução do comportamento dos consumidores panamenhos e as tendências que estão a redefinir o panorama económico, a Kantar Worldpanel, empresa líder mundial em dados e análise de marketing, reuniu vários intervenientes-chave do mercado para discutir os fatores que influenciam as decisões de consumo e como estes moldam a vida, as relações, bem como as prioridades da população do país.
O que se passa com o shopper no Panamá?
De acordo com os resultados do Worldpanel, o Panamá surge como um dos países com uma das taxas mais elevadas de famílias endividadas na região. Cerca de 31% dos agregados familiares panamenhos enfrentam sérias dificuldades económicas, lutando para chegar ao fim do mês devido à crescente pressão sobre os seus rendimentos. Por outro lado, 54% gerem o seu orçamento com uma abordagem realista, ajustando-se aos seus rendimentos e prioridades atuais, enquanto apenas 15% desfrutam de um estilo de vida confortável e sem preocupações financeiras.

A análise também revela dados relevantes sobre os agregados familiares de nível socioeconómico médio-baixo, onde o valor total do cabaz de compras registou uma queda de 8,9% nos dois primeiros meses de 2025. Esta diminuição é impulsionada, em parte, por uma redução de 6,1% no valor médio das compras. Isto reflete uma tendência que afeta diretamente o poder de compra das famílias mais vulneráveis, que têm de ajustar os seus hábitos de consumo a produtos mais acessíveis ou substituir certos bens por opções mais económicas.
De que forma o consumidor panamense alterou os seus hábitos de consumo?
Perante esta realidade, os panamenhos estão a alterar os seus hábitos de compra, a reduzir despesas e a explorar uma maior variedade de canais de compra, sempre em busca de ofertas e promoções que lhes permitam otimizar o seu orçamento. A omnicanalidade continua em alta, com os consumidores a visitarem, em média, 17 canais diferentes por ano, impulsionados pela necessidade de encontrar melhores preços e maior comodidade. No que diz respeito às promoções, os descontos diretos e as ofertas do tipo 2x1 são os mais atraentes, sendo preferidos por mais de metade dos compradores.
Na Worldpanel, constatamos que, no Panamá, o comportamento de consumo está a tornar-se cada vez mais cauteloso e ponderado. As famílias estão a optar por produtos mais acessíveis, o que reflete o facto de os agregados familiares já não tomarem decisões de compra apenas com base nas necessidades, mas também na capacidade real de pagamento.
Gerações em transição: da liderança da Geração X ao apogeu da Geração Z
No que diz respeito às gerações, a Geração X continua a liderar o consumo no Panamá, representando 39% dos agregados familiares e 41% do consumo total. No entanto, a Geração Z está a ganhar terreno rapidamente, não só transformando os canais de compra, mas também redefinindo as expectativas em torno do valor e da experiência. Este grupo, nativo digital, está a impulsionar o crescimento do comércio eletrónico e demonstra uma forte preferência por marcas próprias, destinando 31% dos seus gastos a estas opções. Além disso, a Geração Z apresenta uma maior frequência de compras em canais digitais e lojas de conveniência, o que reflete a sua procura por conveniência, rapidez e personalização.
Quais são as oportunidades para o mercado panamenho?
Neste contexto económico, as oportunidades para o mercado panamense multiplicam-se. As empresas podem tirar partido da digitalização do consumidor para oferecer experiências personalizadas, adaptar-se às novas fórmulas de valor para além do preço, promover marcas com um propósito — especialmente entre os jovens — e otimizar a experiência omnicanal. As marcas que conseguirem estabelecer uma ligação emocional com o consumidor local, construindo relações autênticas, serão as que liderarão este novo panorama.
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