Perante a previsão de um fenómeno de El Niño (FEN) de magnitude «forte» para a época de 2026-2027, as famílias peruanas já antecipam mudanças na forma como irão organizar as suas compras. Abastecer-se com antecedência, optar por marcas mais económicas e ajustar os formatos e locais de compra figuram entre as principais estratégias para fazer face a um possível aumento dos preços.
É o que revela o inquérito «Impacto do FEN no consumo das famílias peruanas», realizado pela Worldpanel by Numerator, que mostra que os consumidores procurarão proteger o seu orçamento sem, necessariamente, reduzirem drasticamente os seus volumes habituais de consumo.
De acordo com a última previsão oficial da ENFEN, o país deverá enfrentar um fenómeno de El Niño de magnitude «forte» durante a época de 2026-2027, um cenário a que vários cientistas já se referem como um «Super Niño». Neste contexto, as famílias peruanas preparam-se para reorganizar estrategicamente os seus hábitos de compra durante os próximos meses.
O abastecimento e as marcas económicas ganham destaque
Ao contrário do que se observou em 2017 e 2023, atualmente o país apresenta indicadores mais favoráveis em termos de emprego, inflação e salário real, o que contribui para uma maior estabilidade das finanças familiares.
Os dados do Worldpanel by Numerator refletem esta mudança: os agregados familiares que classificam a sua situação económica como «confortável» passaram de 15 % em 2023 para 24 % em 2026, enquanto os que referem«dificuldades» financeiras diminuíram de 37 % para 30 % durante o mesmo período.
«O fenómeno El Niño deste ano não irá paralisar o consumo, mas sim acelerar uma reorganização cuidadosamente planeada. A maior estabilidade financeira relativa das famílias proporciona-lhes uma base mais sólida para anteciparem as suas compras de forma preventiva, sem se verem obrigadas a reduzir drasticamente os seus níveis habituais de consumo», salienta Patricia Buchhammer, Gestora de Análise Avançada da Worldpanel by Numerator.
Esta capacidade de planeamento reflete-se diretamente nas estratégias que os agregados familiares peruanos tencionam adotar. 42,9 % tentarão abastecer-se comprando mais produtos, tornando a compra antecipada a resposta mais mencionada face ao FEN.
Por sua vez, 38% optarão por marcas mais económicas, enquanto 28,2% farão as suas compras em locais mais próximos de casa. A procura de valor também se manifestará de diferentes formas: 19% procurarão promoções e descontos em marcas
Premium e 18,3% optarão por formatos e tamanhos grandes para poupar.
Por outro lado, 9,2% optarão por embalagens pequenas para poderem levar outros produtos. Apenas 8% dos agregados familiares afirmam que não irão alterar os seus hábitos de compra.
As estratégias de combate ao FEN variam consoante a região
O impacto previsto do fenómeno de El Niño não é homogéneo em todo o território peruano. O inquérito identifica diferenças significativas entre regiões, especialmente no que diz respeito às decisões relacionadas com o abastecimento antecipado e a proximidade dos pontos de venda.
Na região Norte, 48,4% dos agregados familiares pretendem abastecer-se antecipadamente, enquanto na região Centro esta percentagem atinge os 53,5%.
No Oriente, por outro lado, a proximidade assume maior importância: 37,3 % dos agregados familiares darão prioridade às compras perto de casa. Na região Sul, até 15 % indicam que manterão os seus hábitos de compra habituais.
Estas diferenças mostram como as famílias irão adaptar as suas decisões não só em função do orçamento, mas também das condições específicas de cada região do país.
O nível socioeconómico também influencia as decisões de compra
As estratégias previstas também apresentam diferenças consoante o nível socioeconómico (NSE).
Entre os agregados familiares dos níveis socioeconómicos A/B, o abastecimento antecipado será uma das principais respostas, referida por 49,1%, enquanto 22,8% procurarão promoções em marcas premium.
Em contrapartida, os agregados familiares dos níveis socioeconómicos D/E darão prioridade às marcas económicas, estratégia indicada por 41,8%. O nível socioeconómico C, por seu lado, combinará ambas as alternativas como forma de equilibrar o orçamento familiar.
Este cenário coloca um desafio aos fabricantes e retalhistas: responder a um consumidor que não deixará necessariamente de comprar, mas que estará mais disposto a mudar de marca, formato, tamanho e canal para proteger a sua capacidade de consumo.
«O consumidor atual adapta o seu consumo, ajustando embalagens, marcas e canais de venda. Com a consolidação de novos momentos de consumo em casa, como os cuidados pessoais e os momentos sociais, as marcas devem reagir com formatos de embalagem acessíveis e uma estratégia omnicanal sólida, com pontos de contacto próximos do consumidor para manter a penetração», conclui Buchhammer.
O que significa o fenómeno El Niño para as marcas no Peru?
Os resultados sugerem que, no âmbito do FEN 2026-2027, a acessibilidade e a disponibilidade serão fatores-chave para conquistar os lares peruanos.
A tendência para opções económicas coexiste com outras estratégias, tais como as compras antecipadas, os formatos de maior tamanho para gerar poupança, as embalagens pequenas para gerir o orçamento e a procura de promoções nos segmentos Premium.
Para as marcas, compreender estas diferentes reações será fundamental para ajustar a sua proposta de valor. Dispor de uma arquitetura adequada de preços e tamanhos, garantir a disponibilidade e desenvolver uma estratégia omnicanal que aproxime os produtos do consumidor poderá revelar-se especialmente relevante nos próximos meses.
O inquérito«Impacto do FEN no consumo dos agregados familiares peruanos»foi realizado pela Worldpanel by Numerator entre 6 e 19 de julho de 2026, com base numa amostra nacional de 1 238 agregados familiares e com um nível de confiança de 95%.

